Os Véus, A.

Os Véus, A.

1. Do livro

 “Os Véus, A.” é um livro de crônicas de Carlos Rezende, 125 páginas de texto, segmentado em 20 capítulos e dez ilustrações, prefácio de Renata Piazzalunga, projeto gráfico de Flavio de Carvalho.

Trata-se fundamentalmente de um texto sobre arte contemporânea e as impressões sobre obras, artistas e cidades.

 Conta “Os Véus, A.” ainda com relatos subliminares da vivência em cidades como Reykjavík, na Islândia, Roma, onde o autor viveu, Paris e Veneza.

 

2. Das Ilustrações

 O conjunto de dez ilustrações que acompanha o volume é o resultado de um trabalho fotográfico do autor em Reykjavík, na Islândia. O motivo principal dessa viagem foi a composição do capítulo “Islândia”, inspirado no poema “Ode Marítima” de Fernando Pessoa e na audição e desconstrução formal da peça musical de Glenn Gould “So You Want to Write a Fugue?”. Trata-se de conjunto original de fotografias, feitas exclusivamente para o livro. Não se propõe ilustrações apenas, mas sim uma justificativa formal da tese principal do livro, a confluência,  justaposição e inter-relação entre duas modalidades de linguagem, verbal e visual.

 

3. Do título

“Os Véus, A.”, último texto do livro, foi escrito a partir da leitura da obra em óleo sobre tela do artista inglês Francis Bacon, “ Tryptic 1974-77” .

 

Sobre “Os Véus, A.”, crônica que inspirou o título, escreve o Prof. José Pedro Antunes:

 

“Você resolve uma difícil equação, que tanto costuma comprometer com verborréia as criações de imagens, como destruir verborragicamente as imagens na tentativa de captá-las em palavras.

Na luta entre o verbal e o não-verbal, que há décadas vem sendo motivo para debates calorosos, mas com  poucos avanços (o ensino da literatura, na sua quase totalidade, parece achar que o fundo só é feito de palavras, todas elas congeladas como símbolos, sem o bálsamo da iconicidade), você constrói um texto exemplar.

Não "ler", mas "vler" um quadro, como queria um amigo poeta, o Uilcon Pereira. "Vler" é o que você nos ensina, a leitura sendo um gesto, um ímpeto, uma caminhada, uma inserção à deriva (por que não?) pelo universo das imagens. De repente, Pancetti e Turner juntos nesta sua (agora nossa) viagem. Neste texto, você foi especialmente feliz na escolha vocabular. A gente "vlê" tropeçando em pontos luminosos sur la plage, sur le sable. A opção pela espacialização do texto, e da forma como você o faz, é um acerto e um ganho. Joyceanamente brincando, o teu texto poder ser uilconianamente "vlido" como o "Retrato de um artista plástico como escrevinhador". Seria um bom título para falar dos teus escritos, dentre os quais, desde já, este fica sendo um destaque.”